Cristovam Buarque

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Tenho acompanhado o debate entre Sérgio e Elimar sobre o conceito de Decrescimento. Simpatizo com este conceito. Alguns chamam de “prosperidade sem crescimento” ou “ecodesenvolvimento” ou “desenvolvimento sustentável”. Mas o termo “decrescimento” tem o papel de instigar e incomodar, na direção de romper o paradigma do PIB como indicador do progresso, os outros termos não ousam esta ruptura, mantém a ideia de que progresso é aumentar a produção e o consumo, desde que sem depredação ecológica irreversível.

Decrescimento contesta isto, mas ainda usa um termo derivado da lógica da física, que passou a dominar o pensamento das ciências humanas a partir do século XIX: “crescimento”, “equilíbrio”, “produto”. No lugar de “evolução”, “harmonia”, “elementos”. Avança com a crítica pelo lado negativo: “decrescer”, no lugar de se apresentar pelo lado positivo da melhoria no “bem estar” e da “felicidade”, “conforto”, “alegria”, “esperança”. Prefere enfrentar pela “positiva negatividade”, porque não ousa  se livrar do compromisso científico de medir, comparar, matematizar, importado das ciências físicas. Em vez de decrescimento precisamos de “deseconomizar” o pensamento

A origem das discordâncias entre Sérgio e Elimar está em que tanto um quanto o outro não se livram do economicismo, não saltam para o mundo da filosofia e da ética. Precisamos usar a economia para indicar apenas a parte da racionalidade física de um processo que é muito mais amplo, social e natural, com propósitos morais. No livro “A desordem do progresso”, que em inglês recebeu o título de “The end of economics?”, de 1991, cheguei a propor o termo econologia para definir um campo de estudo que combina ética, para definir o propósito civilizatório ou nacional, não apenas da produção e do consumo; ecologia, para definir o espaço, não apenas dos recursos econômicos da natureza, mas a totalidade da ecologia; e economia para a lógica de como os bens naturais se transformam nos produtos dos seres humanos, fazendo a humanidade evoluir para um mundo melhor.

A proposta da palavra econologia era romper com a ideia, que não tem ainda 200 anos, do propósito produtivista para um conceito humanista na relação entre os seres humanos e deles com a natureza, na busca de evoluir, levando em conta o aumento na disponibilidade de tempo livre, manutenção do equilíbrio ecológico e da natureza inclusive sua diversidade, não contabilização de bens negativos como armas e contabilização de forma negativa das destruições naturais e culturais; consideração dos impactos distributivos positivamente e os concentradores negativamente, capacidade de garantir sustentabilidade e aumentar a harmonia social.

Nesta concepção, o termo “crescimento” já demonstrou seu fracasso como estratégia de progresso ou evolução, representa hoje um “desprogresso”, e “decrescimento” serve como provocação e tática, mas não como propósito para definir a evolução das civilizações. A palavra econologia tem 30 anos, mas não pegou, nem sua transliteração, econology. Este fracasso linguístico leva à tentação de sugerir o termo “reeconomia”, mas o conceito continuaria aprisionando a mente em um padrão superado de modelo civilizatório, tanto por seu propósito, quanto por sua lógica.

Aparentemente, estamos no tempo de rasgar os dicionários, nem “crescimento”, nem “decrescimento”, ainda não chegou o tempo de novas palavras aceitas para definirem novos tempos. Por isto as discordâncias na Será? entre Sergio e Elimar, por palavras velhas, ainda não por palavras novas.

P.S Artigo originalmente publicado na Revista Será?

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